Aprendemos a todo instante.

Aprendemos a todo instante, a vida toda.

A criança aprende com o corpo. Aprende pela experiência. Não adianta apenas oferecer conteúdos cognitivos. A ciência já comprovou isto. Uma escola que quer estar na vanguarda de fato deve se atentar a estas questões. Somos seres com múltiplas dimensões: cognitiva, emocional, social, espiritual. Somos um todo integrado e nesta nova era que se descortina é primordial se inteirar, se integrar. Mas nós adultos também nos fragmentamos e desaprendemos a amparar as reais necessidades de nossas crianças. Os pais dão a tecnologia em excesso, a escola os conteúdos em excesso. As crianças por sua vez, gritam por atenção, por natureza, por aprender experimentando. Tentam encontrar sentido no mundo, mas existe sentido neste sistema que nos é imposto geração após geração?

Promover o desenvolvimento das competências socioemocionais é fundamental para que a escola realmente cumpra seu papel de ensinar. Aprender a ter empatia, trabalhar em grupo, cooperar, se autorregular, cidadania, ética e principalmente a ser feliz.

Lembrar que é ensino-aprendizagem. Tanto os educadores quanto as crianças ensinam e aprendem. Para aprender é preciso desenvolver vínculo. Só aprendemos de quem querermos. E como se mede o aprendizado? Pela quantidade de conteúdos escolares? Não, pela transformação que ocorre na vida daquela pessoa, como diz Murilo Gun, professor de criatividade e humorista. A escola precisa ser capaz de ter um ambiente onde as habilidades e talentos da criança possam florescer em plenitude. Mas para ser capaz de abraçar a criança pelo que ela é, sem massificar, robotizar, padronizar é preciso que os adultos abracem primeiro a própria transformação. Estamos vivendo uma mudança de era, que possamos ajudar a escola sair do século XIX e vivenciar o século XXI. Já se perguntaram porque fazem as coisas sempre do mesmo modo e porque a cada ano mais alunos não conseguem aprender? Será que eles não conseguem de fato aprender? Qual o objetivo da escola? Treinar para o vestibular? O quanto você se lembra do que aprendeu para o vestibular? Isto é aprender? E quanto ao seu propósito de vida? O quanto a escola lhe ajudou a esclarecer seu propósito? Talvez você ainda nem saiba qual o seu propósito. Não me espanta que estejamos medicalizando nossas dores. Que a cada dia mais adolescentes estejam perdidos de si mesmos.

Chegou a hora da escola rever seu papel. Informação existe em abundância e não precisa ser memorizada. Não precisamos de treinos sem sentido. Precisamos aprender a estar no mundo e a dar respostas criativas aos desafios que a vida nos apresenta. Este modelo que aí está servia para treinar mão de obra para as fábricas. Hoje os robôs fazem as tarefas repetitivas bem melhor do que nós. As empresas sabem disto, elas visam aumentar seus lucros e estão na vanguarda desta mudança de era. Mas nossas escolas ainda continuam a agir como se ainda estivéssemos no século XIX. Colocamos as crianças para ficarem quietas, sem se movimentar, absorvendo informações sem questionar. Quando vão para o mercado de trabalho exigem que sejam criativas e que trabalhem em grupo. Como? Trabalhar em grupo era colar e não sabem conviver com várias idades, o sistema é seriado.

Precisam de ordens para realizar suas tarefas e não aprenderam a dar soluções criativas aos desafios que a cada dia estão mais complexos. Estamos realmente preparando nossas crianças para viver no mundo que as espera? Tudo está se transformando a uma velocidade alucinante. Não é por acaso que Zygmunt Bauman chama o mundo contemporâneo de Modernidade Líquida. Nada mais é tão sólido, nem mesmo a individualidade de uma pessoa. E com tantas transformação faz sentido a educação seguir os padrões do século XIX? Repetição, transmissão oral de conhecimento pelo professor que dita o que é “normal”, adequado e não se atenta aos dons e talentos individuais. sabe que deve ser facilitador do conhecimento, mas continua a simplesmente transmitir informações. A capacidade de fazer relações foi deixada de lado. Basta ir bem na prova, completar as tarefas, ser obediente. E quanto a autonomia, a construção do conhecimento que se dá de dentro para fora.

Chegou a hora de sair da caixinha e ampliar horizontes. Para ajudar você nisto, deixo de sugestão dois vídeos, que podem contribuir para elucidar estas e outras questões que dizem respeito ao desafio da educação em nossos dias. É só pegar a pipoca.

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